[Resenha] - Eu sobrevivi ao Holocausto - Nanette Blitz Konig

ISBN-13: 9788579308765
ISBN-10: 8579308763
Ano: 2015 / Páginas: 192
Idioma: português 





'Eu sobrevivi ao Holocausto' conta a história de Nanette, ela tinha 12 anos quando sua vida começou a mudar drasticamente. Nascida na Holanda ela nunca poderia imaginar que ser judia faria com que ela sofresse tanto.
É de conhecimento geral que durante a Segunda Guerra Mundial a Alemanha liderada por Hittler capturou judeus de suas casas e os jogou em campos de concentração para trabalho forçado, humilhação, tortura e morte. Mas acontece que ao meu ver parece tudo muito distante, como se fosse em outra vida. É por isso que a leitura desse livro foi tão importante, porque nos mostra que o holocausto realmente aconteceu, foi cruel e ninguém jamais mereceu passar por aquilo.
"Quem não viveu em um campo de concentração não pode imaginar que, mesmo quando você deixa o campo, o campo não deixa você, não há paz." 
Nanette começa contando sobre sua vida na Holanda, sobre sua família e como tudo parecia perfeitamente normal. Judeus e cristãos estudavam nas mesmas escolas, trabalhavam juntos e não havia nenhuma problema nisso. Até que Hittler foi eleito democraticamente na Alemanha e começou a impor suas convicções da raça ariana e como todos os que não se encaixavam em seus padrões deveriam ser exterminados. Os boatos chegaram na Holanda, mas naquela época as informações eram contorcidas e não chegavam com clareza e nem rapidez. Por isso muitos acreditavam que aquilo era boato.
O primeiro passo para que tudo parece diferente foi quando judeus foram obrigados a estudar separados de cristão, foi quando Nanette conheceu Anne Frank no colégio Liceu Judaico. Depois disso começaram a simplesmente desaparecer, Nanette conta que foi angustiante ver seus amigos sumirem da escola e nunca mais saber deles e nem saber porque estavam sumindo, até que chegou sua vez. 
Quando a Holanda foi dominada pela Alemanha, Nanette e sua família foram levados para um campo de transição, onde eles permaneceram muitos meses. Não era como sua casa, mas ela tinha a impressão de que poderia ser pior, e realmente foi. Quando foram transferidos para Bergen-Belsen, um campo de concentração onde os nazistas fizeram a vida dos judeus um verdadeiro inferno. Dentre muitos relatos, Nanette conta que sua família estava numa lista considerada privilegiada, não teve os cabelos cortados e não teve que usar a roupa listrada. O motivo era o posto que seu pai ocupada no banco antes da ocupação na Holanda, ele poderia facilmente ser trocado por qualquer coisa que a Alemanha julgasse importante. No final das contas isso nunca aconteceu.
"Apesar de estarmos em meio a todo aquele caos, ainda possuíamos a capacidade de sonhar." - página 111
O que torna esse livro assustados são os relatos, em O Diário de Anne Frank já ficamos assustados com tudo o que ela passou, porém o relado de Nanette é ainda mais cruel. Porque ela conta o que acontecia dentro dos campos de concentração, ela contou das doenças, dos maus tratos, das humilhações, das péssimas condições de higiene e a falta de itens de necessidades básicas. Ela conta do medo, dos traumas e das perdas. 
Em muitos momentos tive que parar a leitura pra respirar porque estava realmente abalada com o que eu lia. Não consegui entender como um ser humano consegue chegar nesse nível de crueldade. 

Podemos pensar em sobreviver ao Holocausto seja um destino feliz. Realmente foi no caso de Nanette, mas na época em questão muitas pessoas não acreditam nos relatos dos judeus após o fim da guerra. Já pensou você passar por um trauma desses, de repente ser libertado e não ter mais sua casa? Como você reconstrói sua vida que está toda marcada de traumas que ninguém parece se importar? Depois de sobreviver ao campo de concentração, Nanette precisou aprender a sobreviver durante a vida. E é sobre isso que esse livro fala: Sobrevivência. 
Sem dúvidas um dos relatos mais emocionantes que eu já li, acredito que todo ser humano deveria ler um livro desses para que esses tipos de histórias não sejam esquecidas. Porque é uma mancha negra no nosso passado que não devemos esquecer, porque assim, não permitiremos nunca mais que isso aconteça novamente. 
"Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo". - George Santayna

2 comentários:

  1. Oi Carol, já tinha ouvido falar neste livro, mas ainda não tive a oportunidade nem sequer de folheá-lo - o que ainda pretendo fazer numa próxima ida à livraria. Li O Diário de Anne Frank quando ainda era muito nova e é um livro que guardo com muito carinho, amei desde o primeiro instante, apesar da tristeza que ele carrega. Tenho bastante interesse em assuntos ligados ao Holocausto, relatos sobre os campos de concentração, e por isso tenho vontade de ler este livro. Gostei bastante da sua resenha. Aliás, pensando em livros sobre barbáries que sequer imaginamos realmente, mas que foram cometidas por seres humanos há nem tanto tempo, lembrei de Holocausto Brasileiro, um livro-reportagem muito bom sobre a crueldade que aconteceu em um manicômio na cidade de Barbacena durante o século 20 (especialmente na última metade do século). É um livro doloroso, mas vale a pena ler, especialmente por ser algo que aconteceu tão próximo de nós e que pouquíssima gente tem conhecimento.

    Beijos, Livro Lab

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    1. OI Aline, eu já havia ouvido falar desse Holocausto Brasileiro mas não sabia de nada sobre! Me interessei, vou procurar para ler sim! Quando você ler Eu sobrevivi ao holocausto me fale o que achou, tenho certeza que você vai adorar, mas também vai chorar muito! É inevitável. beijos e obrigada pela visita!

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