Entrevista com Luisa Soresini - parte 2


Foto cedida pela autora
Olá pessoal! Aqui estamos de volta. Visto que a entrevista anterior com a autora parceira Luisa Soresini e seu convidado especial, o Carl Vergamini, agradou vários leitores, resolvemos criar uma segunda parte com um novo personagem, desta vez o imponente Danton Vergamini. Vocês podem ler a primeira parte da entrevista clicando aqui. Estão prontos?





Entrevista com Luisa Vergamini - parte 2

Marina: Olá Luisa, olá Danton! Sejam bem-vindos à segunda etapa da nossa entrevista. Como vão?

Luisa: Só um segundo... - pega a cadeira e senta longe do Danton - Pronto, melhorou. Agora eu estou bem.

Danton: Com medo de sentar perto de mim, Luisa?

Luisa: Eu? Não... Quer dizer...

Danton: Você não está assim por causa da parte 02, ou está?

Luisa: Não... Que isso.

Danton: Então não vai se importar se eu sentar bem pertinho de você. Muito pertinho... Para quem sabe você mudar AQUELA PORCARIA. Você pirou? Quer morrer?

Luisa: Pode parar por aí, Danton. Quem manda no livro sou eu. E ficou ótimo.

Danton: É claro! Você vai descobrir como eu posso ser um inferno para você. Ahh se vai. Prossiga, Marina. Eu estou ótimo agora.

Luisa: SOS

Marina: Bom... Luisa, na primeira entrevista perguntei qual você achou ser o personagem mais desafiador criado até então. Hoje eu gostaria de saber qual foi o personagem que mais te arrancou risadas durante o desenvolvimento de A Filha do Norte.

Danton: Soube que o personagem mais desafiador era eu. Quer falar mais sobre isso pra mim?

Luisa: Carl, maldito linguarudo. Você é desafiador, porque é chato pra caramba. Louco e psicótico.

Danton: Ah, que bom. Isso quer dizer que você é louca e psicótica também, sinto-me tranquilo agora.

Luisa: Saco. Voltando à pergunta, o personagem mais engraçado, acho que posso dizer que é o Carl e um pouquinho o Christofer. Eles são bem engraçados e malucos, então fica divertido fazer cenas com eles.

Danton: Isso eu tenho que concordar.

Marina: E qual deles, por sua história de vida, você acha que tem a capacidade de emocionar mais os leitores no livro dois? Você acha que os mais sensíveis podem vir a chorar com algum novo acontecimento?

Danton: Aff... Esse livro.

Luisa: Para de reclamar, Danton. Vai acabar dando algum spoiler. Eu acredito que a Michelle terá essa capacidade. O foco tende a ser nela e eu acredito que terão muitas lágrimas nesse livro 02.

Marina: Você também sabe que a cena preferida para mim, a que me arrancou mais risadas, foi a cena do Carl fugindo do banho (e por isso eu preferi deixar essa pergunta para essa entrevista!). Qual é a SUA cena mais divertida do primeiro livro?

Danton: A cena que eu acabo com aquela humana inútil.

Luisa: Coisa, a pergunta foi para mim. Acho que além dessa que você falou, Marina, a cena que a Michelle tenta aprender a lutar com a Mina. Muito legal. 

Danton: Duas idiotas.

Marina: Visitando as páginas de A Filha do Norte na internet, reparei que muitos fãs já criaram seus "shipps". O que você pensa sobre isso?

Luisa: Acho engraçado. É divertido pensar que vocês têm suas preferências, eu não tinha pensado em tantas possibilidades assim, não era um dos meus objetivos principais ter casais quando escrevi o livro.

Danton: A autora é doida, os fãs são doidos. Não sei quem é pior.

Marina: Cada um dos irmãos Vergamini é representado por uma criatura mitológica famosa (lobisomens, vampiros, múmias, etc). E quanto ao Carl? Foi uma ideia da sua cabeça ou você se baseou em alguma mitologia de algum lugar para cria-lo?

Luisa: Eu amo gatos. Mas o Carl foi criado baseado no personagem o Gato de Botas, dos contos infantis.

Danton: Só faltou as botas mesmo.

Marina: E você Danton? Conte-nos um pouquinho sobre você, seus hobbies...



Luisa: Não pergunta isso para ele...

Danton: Cale a boca, humana escritora. É a minha vez de falar. Acho que meus hobbies são muito superiores para meros humanos como vocês, Marina. Vocês não entenderiam.

Luisa: É porque a gente não fala do seu bom hábito de escrever r...

Danton: CALADA.

Marina: E mesmo não sendo o mais velho entre seus irmãos, claramente você exerce o papel de líder entre eles. Conte um pouco para nós como você vê a convivência entre todos vocês.

Danton: É inevitável, não é? Se você pensar bem, se não fosse eu, aqueles idiotas não fariam nada certo. Eles são meras peças, não acho que têm ou deviam ter uma boa convivência. Se fizerem o que eu mando já está ótimo.

Luisa: Adora os irmãos e está com esse papo de peças... Aff. Eu mereço.

Danton: Sabe, Luisa, eu tenho métodos muito mais convincentes de lidar com você do que o Carl. Ele fica só em ameaças, eu coloco em prática. O que acha?

Luisa: Não sorria para mim assim, seu cretino.

Marina: E quanto à inesperada chegada da Michelle?

Luisa: Danton, pare de me fuzilar.

Danton: Sabe quando entra uma barata na sua casa? É pior. Michelle consegue ser pior que a Luisa em vários aspectos.

Marina: Acho que você deve saber através da Luisa que você é um dos mais adorados pelos fãs e que palavras como imponente e desafiador são adjetivos que te descrevem bem. Como se sente em relação a isso?

Danton: Era inevitável, não é? Isso é óbvio. Não tenho o que dizer.

Luisa: Não faça perguntas que inflem o ego dele, Marina. Ele vai enlouquecer.

Marina: Já fiz essa pergunta para o Carl na entrevista anterior e agora gostaria de saber a sua opinião em relação aos acontecimentos do segundo livro.

Luisa: Pare de me fuzilar de novo, Danton.

Danton: Tenho que concordar com o Carl. Ela entrou em colapso mental.

Marina: Luisa acha que você tem capacidade para dominar o mundo. O que você pensa a respeito disso?

Danton: Uma coisa positiva ao mesmo respeito, que gentil da sua parte Luisa. Nem acredito que vou dizer isso, mas ela tem toda a razão nesse aspecto.

Luisa: Eu mereço.

Marina: E só por curiosidade, se você viesse a descobrir que alguém tem mais medo de aranhas do que de você, como acha que seria a sua reação?

Danton: Quê?

Luisa: Acho que a gente já acabou né? – levanta da cadeira – É bom a gente ir embora agora... Foi uma ótima entrevista... Adorei. HAHAHA. Deixa para a próxima. 

Danton: Luisa, o que você não me disse? LUISA?? POR QUE VOCÊ ESTÁ CORRENDO? LUISAAA!!

Marina: Opa.

Danton: Humanos... - bufa, irritado - Você sabe alguma coisa a respeito disso, Marina?

Marina: Não, não. Claro que não, foi só uma... uma curiosidade, mesmo. 

Danton: Marina Meirelles, eu tenho muitas maneiras de te convencer a falar...

Marina: *engole em seco* Nossa, olha só a hora! Acho melhor a gente fazer um intervalo, não é mesmo pessoal? Danton, foi um prazer! Nos vemos na próxima, certo? Certo! Até mais. 

------------*------------

Puxa, pessoal!
Estou aqui nos bastidores e vocês devem ter visto que a conversa hoje foi mais... Tensa. Confesso que gelou meu sangue todo o jeito como o Danton ficava me encarando, vampiros não são brincadeira, não!
Mas tudo bem, espero que a Luisa esteja bem também! E por hoje é isso, prometo que a próxima será bem mais tranquila!
Um beijão!

[Resenha] - Gigantes Adormecidos - Sylvain Neuvel

Título original: Sleeping Giants
Editora : Suma de Letras
Gênero : Ficção norte-americana / Ficção científica
Lançamento : Junho de 2016
Número de Páginas : 328
Tradução : Michel Teixeira
ISBN : 9788556510129


Olá galera! Como vocês estão? Espero que com muitos livros para ler! Hoje trago para vocês a resenha de "Gigantes Adormecidos", primeiro livro da trilogia  "Os Arquivos Têmis". Aclamado como um dos melhores começos de série dos últimos tempos fora do país, comprovei a veracidade dessa fama. Somos apresentados a Rose que, ainda criança, sai para pedalar na sua bicicleta e é engolida por uma cratera que se abre na entrada do bosque da sua cidade. Após ser resgatada pelos bombeiros, todos se surpreendem com algo intrigante. Rose caíra em uma mão de metal gigante e ao redor dessa mão existem alguns painéis do mesmo metal e que emitem um luz arroxeada. Não se sabe o que é, tampouco de onde veio tal mão. Logo o exército americano isola a área e transporta a mão para alguma base secreta. Dezessete anos depois, Rose é ph.D em Física, e se vê envolvida novamente com a misteriosa mão que marcou sua infância. Os estudos conduzidos pelo exército se mostraram no mínimo intrigantes. A datação por carbono (processo pelo qual se determina a idade de qualquer objeto com maior exatidão), aponta que a mão é tão antiga quanto a raça humana! Além disso o exército não conseguiu determinar de qual metal ela é feita, muito menos porque os painéis emitem luz sem uma fonte visível de energia. Por isso a Dr.ª Rose é contratada, sendo uma das maiores especialistas na sua área.

"Só de olhar dá para perceber que ela foi construída para intimidar. Qualquer um que se encontrar frente a frente com ela vai ficar impressionado e aterrorizado ao mesmo tempo. A forma segue a função" Pág. 70
Logo a Dr.ª Rose reúne uma equipe para estudar a mão e quando outras peças como braços e pernas começam a surgir em diferentes lugares dos EUA e do mundo, a equipe passa a resgatá-las. Não demora para que todos os envolvidos no projeto percebam que se trata de uma robô alienígena (sim, o robô tem feições femininas). O metal predominante é raríssimo na Terra, mais abundante em meteoritos e estranhamente leve. Após recuperarem todas as peças localizadas nos EUA, a tarefa de recuperar as peças restantes em solo estrangeiro em sigilo é muito perigosa e arriscada, além de quebrar todas as leis internacionais. Quando falta apenas a cabeça a ser achada, descobre-se que é necessário duas pessoas para "pilotar" a robô; uma controlando os membros superiores e outra controlando os membros inferiores. Dois membros da equipe da Dr.ª Rose são designados e o treinamento se mostra muito desafiador. A robô em si é uma tecnologia nunca vista pelo homem, portanto o treinamento como todo o projeto se mostra o maior desafio já imposto ao ser humano. A adaptação aos controles e o relacionamentos entre os dois pilotos, um homem e uma mulher é repleto de circunstâncias interessantes.


"Pode ser um salto de proporções monumentais para toda a humanidade, e não só do ponto de vista tecnológico. Isso vai mudar a maneira como pensamos o mundo, a forma como nos vemos. Isso vai mudar o planeta, e temos a oportunidade de liderar essa mudança." Pág. 140
O livro possui revelações incríveis, reviravoltas inesperadas, acidentes marcantes, mistérios, jogos de poder, enfim, um misto de todo o conhecimento humano já descoberto; e as mais variadas interações entre os personagens. Deixei de citar muitas coisas, por conta de não tirar de você, amigo leitor, o mesmo prazer que senti, ao perceber que o autor soube encaixar de forma convincente aspectos das mais variadas aéreas do conhecimento humano: Biologia, Química, Física, Astronomia, História, Geografia, Matemática, Política, etc. Além de revelar alguns segredos e nos introduzir muitos outros interessantíssimos, que me deixaram ansiando pela segundo livro. 



O autor merece todo o crédito por criar e desenvolver uma história incrivelmente viciante, interessante, instigante e que me aflorou muitos sentimentos, os mais variados. Diagramação muito agradável, capítulos de bom tamanho, e uma capa muito chamativa. Destaque especial para os personagens! Dr.ª Rose e toda sua equipe formam um misto de tudo aquilo que se encontra no ser humano. Desde caráter, personalidade e mentalidade. São diálogos que conquistam, te prendem, te deixam desejando por mais. Dentre o personagens, temos aquele que eu apelidei de Dr. X! Você me pergunta o porquê e te respondo com todo prazer. Todos os capítulos do livro são arquivos, alguns poucos de autoria da Dr.ª Rose, e a maioria são arquivos em forma de entrevistas. Áudios conduzidos por um personagem que não se identifica, mas que se percebe rapidamente possuir um poder e influência vasta no governo americano. Quase ninguém bate de frente com ele, talvez o único acima dele seja o presidente. Ele possui um papel fundamental e comanda direta ou indiretamente as ações e decisões. Há um capítulo especial que me fez odiá-lo e ter um verdadeiro asco do que ele fez. O decorrer dos fatos mostra que sua decisão pode ter sido acertada pelo ponto de vista do projeto, mas discordo totalmente da forma que foi executada. Até mesmo a Dr.ª Rose discorda: 
"Eu nunca diria isso na frente dele, porque deixaria a situação ainda pior, mas fico enojada com o que lhe fizeram. Diante das circunstâncias, há até uma lógica razoável por trás da ideia, mas é preciso definir algum limite para que continuemos sendo humanos." Pág. 168
Enfim, o autor nos desperta indagações sobre até que ponto o ser humano pode chegar. Me peguei em vários momentos me questionando o que faria no lugar desse personagem. Agiria da mesma forma? E na metade final do livro, outro personagem que não se identifica demonstra conhecer muito sobre a história dos criadores da robô e sobre sua origem. E o que ele conta me fascinou a tal ponto que foi preciso alguns minutos para absorver tantas informações extraordinárias! Sem mais delongas, quem gosta de ficção científica, saiba que você estará lendo um dos melhores livros já escritos, é uma leitora quase obrigatória! Que faz jus ao grandes clássicos do século XX. Dei cinco estrelas no Skoob e adicionei entre meus favoritos! Em resumo, um livro que deixa marcas na gente! Vocês precisam ler esse livro para ter total compreensão, porque temo que nenhuma resenha possa transmitir metade do que ele é! 

[Resenha] - Relato de um anjo - Fábio Magalhães


Editora: Chiado
Lançamento: 2016
Gênero: Literatura Nacional / Romance
Páginas: 158
ISBN: 978-989-51-6468-4

Foi em um dia ensolarado como qualquer outro que Felipe e Amanda se conheceram. Atraído pela moça, o rapaz resolve se aproximar e logo ambos descobrem que possuem uma paixão em comum pela escrita. O relacionamento dos dois, com o passar do tempo, vai se tornando mais forte e Amanda e Felipe não conseguem mais se ver longe um do outro.

Até que Amanda fica doente e quando Felipe sai para buscar medicamentos, sofre um acidente e morre instantaneamente. Ao entender o que lhe aconteceu, Felipe recusa-se a ir para a luz mesmo tendo esta etapa de sua vida finalizada, pois sente que não pode abandonar Amanda e resolve ficar no plano terrestre para proteger a amada, ainda que esteja correndo perigo nas mãos de criaturas das trevas.

"É destruidor quando a tristeza cai, e entristece os olhos de quem você ama, e a deixa chorando sozinha em sua cama. E você não pode fazer nada [...]"


É comum, ao ver um livro com este título, se pensar em algo com seres angelicais, com suas enormes asas brancas – em um primeiro momento, foi o que eu mesma pensei - mas este não é o caso de “Relato de um anjo”. E eu achei muito interessante o autor ter levado esta temática por outro caminho, mostrando um lado da palavra anjo que quase não vemos nos livros, a ideia de que alguém que tanto amamos pode continuar cuidando de nós, independente de onde quer que esteja.

O livro – primeiro romance do escritor nacional Fábio Magalhães – conta com uma estória bem elaborada e uma bela mensagem em suas entrelinhas, capaz de emocionar os leitores mais sensíveis. O fato de os personagens possuírem um amor incondicional pelo mundo da escrita, fez com que o autor mesclasse várias poesias ao seu texto, o que deu um ar bem romântico ao livro, com muitas frases maravilhosas.

"E diante do tempo, peço desculpas se eu sair da sua vida
sem dar explicação,
Se eu estiver longe para te consolar, nem poder te aconselhar.
Peço desculpas se eu não puder enxugar suas lágrimas
quando você chorar.
Mas levarei a certeza de que anjos perdidos com o tempo
também choram."

Ainda que tenha sentido que o autor poderia ter se aprofundado um pouco mais
nos detalhes da narrativa, que aos meus olhos foi muito acelerada, a sensibilidade que o livro nos traz é muito cativante. É muito fácil sentir nesta obra, seja alegria ou tristeza, medos ou incertezas, um amor forte e verdadeiro ou a pureza de uma criança. Os personagens são simples e ao mesmo tempo complexos, como qualquer outro personagem que podemos encontrar em tantos outros livros, mas com um misto de sentimentos e características que os tornam únicos.

A diagramação do livro está muito bonita, com uma capa em um tom vivo, alegre, que já encantou meus olhos em um primeiro momento. Narrado em primeira pessoa com capítulos e fonte em tamanhos adequados para não tornar a leitura cansativa, o livro está um capricho só - ainda que a revisão tenha deixado um pouquinho a desejar. Ainda assim, "Relato de um anjo" é um livro emocionante que marcou o início da carreira do autor na literatura de forma muito positiva e que, portanto, vale muito a pena ser lido.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...