[Resenha] - Proibido - Tabitha Suzuma


Editora: Valentina
Lançamento: 2014
Original: Forbidden
Gênero: Romance Inglês
Páginas: 302
ISBN: 978-85-65859-36-3

Eis aqui, talvez, a resenha mais difícil que eu já tenha feito na minha vida. Tabitha Suzuma faz uso de um tema extremamente complexo, que consiste em um tabu para a sociedade, mas o narra de forma tão profunda que nos faz, de um forma ou de outra, confrontar tudo o que pensamos e tomamos como certo sobre o assunto.

"Como uma coisa tão errada pode parecer tão certa?"

"Proibido" narra a história de Lochan e Maya, os irmãos mais velhos de cinco. Abandonados pelo pai, que deixou a família para viver com outra mulher, e negligenciados pela mãe, que sempre deixou claro nunca ter desejado nenhum deles, dividindo então sua vida entre as bebidas e o atual namorado, Lochan e Maya sempre se viram como responsáveis pelos irmãos menores, dividindo as atividades da casa na tentativa de proporcionar uma vida melhor a cada um deles. São sempre eles que precisam ajuda-los a se vestir, preparar cada uma das refeições, brincar com os pequenos, ajudar com as tarefas da escola, coloca-los para dormir ao anoitecer e ainda conciliar tudo isso com os estudos - a única coisa que pode lhes garantir um futuro mais digno.

A pressão de serem os responsáveis pela família fez de Lochan e Maya os melhores amigos um do outro, aqueles a quem eles sentiam que poderiam verdadeiramente se abrir nos momentos em que tudo estivesse parecendo perdido. Lochan sempre teve uma personalidade extremamente tímida e fechada e sua única amiga em toda a vida foi a irmã, uma jovem divertida e comunicativa, que sempre lhe apoiou quando a pressão de ser "o homem da casa" acabava se tornando demais para ele.

E por causa desta união entre os dois, esse laço compartilhado entre ambos de forma tão única e especial, é que Lochan e Maya acabam se apaixonando. Os dois sabem dos problemas que este sentimento pode trazer para ambos e toda a família que eles, a todo custo, vem criando com tanto afeto e carinho, e que o sentimento que surgiu é visto como doentio e perturbador pelo mundo. Estariam eles prontos para arriscar tudo em nome desse sentimento tão errado, mas ao mesmo tempo tão certo?

[...] nunca me dei conta de que era Maya quem me transmitia aquela força. Era porque ela estava lá que eu conseguia aguentar, nós dois no timão, um amparando o outro quando um dos dois caía. é verdade que passamos a maior parte do tempo cuidando dos menores, mas por baixo da superfície estávamos realmente cuidando um do outro, o que tornava tudo suportável, aliás, mais do que suportável. Isso nos aproximou em meio a uma existência que só nós podíamos compreender.



Só de ler esta primeira parte da resenha já se pode ter noção do que o leitor irá vivenciar durante a leitura, e eu falo com certeza que este livro não é qualquer um que consegue ler com naturalidade. Antes de mais nada, para evitar um mal entendido, a ideia do livro não é fazer com que ninguém passe a ver o incesto como algo aceitável. Não foi isso o que a autora quis passar - e nem o que eu estou querendo passar com essa resenha também. "Proibido" é um livro sobre sentimentos, daqueles intensos, profundos, que nos faz questionar por quais motivos as pessoas criticam e proíbem o amor quando ele nasceu fora do que a sociedade impõe como certo e aceitável. O amor entre Maya e Lochan não foi algo que surgiu por acaso, foi um sentimento que veio florescendo com o tempo e culminou em algo verdadeiro - e desastroso. Mas a forma como a autora descreve este amor possui uma sutileza, uma delicadeza tão grande, que eu entendi o amor dos personagens, e por inúmeras vezes torci para que eles fossem felizes no final, do jeito que eles queriam ser.

Mas é o mundo inteiro - diz, sua voz um sussurro angustiado - Como... como vamos conseguir triunfar sobre o mundo inteiro?

São vários os trechos do livro em que vemos Lorchan e Maya se referindo um ao outro como mais do que irmãos. Aliás, as circunstâncias sob as quais eles cresceram fizeram com que se sentissem cada vez menos como irmãos e mais como parceiros, almas gêmeas, o porto seguro um do outro. E o fato de a narrativa ser toda intercalada sob o ponto de vista dos dois nos dá um entendimento muito maior sobre o assunto, pois estamos vendo como cada um deles está reagindo ao fato de inesperadamente ter se apaixonado pelo irmão. Seus sentimentos de culpa e vergonha por estarem cometendo algo considerado errado e repugnante. Maya é mais confiante e determinada a manter vivo este amor apesar do que todos poderiam pensar se descobrissem, Lochan já sofre mais. Tanto por sua personalidade e tudo o que foi imposto a ele na vida, os capítulo de Lochan são mais sofridos e tensos por causa de toda a tristeza e dor que ele traz dentro do coração. Mas ambos são igualmente sensíveis e demonstram de forma muito verdadeira através das palavras o quão profundo é o amor que ali surgiu.

"Proibido" é um livro, no mínimo, difícil de se digerir, e é preciso haver uma mente muito aberta e livre de preconceitos para conseguir chegar até o final. Os personagens foram brilhantemente desenvolvidos e a forma como cada um deles pensa a respeito de si mesmo é muito forte, porque eles tentam se livrar deste amor que eles sabem que não devem levar adiante, mas tudo sempre acaba levando-os de volta um para o outro. E tudo vai se desenvolvendo de forma que o leitor simplesmente não sabe o que esperar, de tal forma que cada acontecimento acaba sendo um choque muito grande, e tudo vai se acumulando para culminar em um final que vai te fazer precisar de muitos lencinhos. "Proibido" é o tipo de livro que te desestrutura, abala facilmente o emocional, deixa sem rumo. São horas até se conseguir acalmar a mente para decidir o que pensar e o que defender. "Proibido" é o livro com o poder de mudar pessoas e nos faz pensar no porquê de a sociedade proibir e condenar um sentimento tão forte como o amor, principalmente quando ele floresce da forma mais pura e verdadeira. Por fim, eu termino falando que é um livro que eu acho que todos deveriam ler pelo menos uma vez na vida, para se colocar na pele de quem sofre por não poder amar de verdade uma pessoa, porque isso foi designado como errado.
Porque, sejamos sinceros, desde quando amar pode ser considerado algo ruim?

Mas por que então é tão terrível para mim estar com a garota que eu amo? Todos os outros têm permissão para ficar com quem quiserem, expressar seu amor se quiserem, sem medo de assédio, ostracismo, perseguição ou até mesmo da lei. Mesmo emocionalmente abusivas, as relações adúlteras são muitas vezes toleradas, apesar do dano que causam aos outros. Em nossa sociedade, progressiva e permissiva, todos esses tipos nocivos e insalubres de "amor" são permitidos - mas não o nosso. Não consigo pensar em nenhum outro tipo de amor que seja tão completamente rejeitado, mesmo que o nosso seja tão profundo, apaixonado, carinhoso e forte que nos obrigar a nos separar nos causaria uma dor inimaginável. Nós estamos sendo punidos pelo mundo por apenas uma razão simples: termos sido gerados pela mesma mulher.


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