[Resenha] - Minecraft: O Acidente - Tracey Baptiste

Título original: MINECRAFT: THE CRASH
Tradução: Natalie Gerhardt
Capa: Ian Wilding
Páginas: 312
Formato: 14.00 X 21.00 cm
Peso: 0.342 kg
Acabamento: Brochura com Orelha
Lançamento: 20/07/2018
ISBN: 9788556510716
Selo: Suma de Letras

O segundo livro oficial de Minecraft não é uma continuação do primeiro livro, pois se passa no "mundo real" (diferente do 1º) e conta a história de Bianca Marshall, uma estudante que acaba de chegar ao ensino médio, que assim como seu melhor amigo Lonnie,  é uma grande fã do famoso jogo "Minecraft". Devido a uma distração causada por Bianca, ela e Lonnie acabam sofrendo um grave acidente de carro. Logo, Bianca acorda em um hospital, porém ela não consegue descobrir o que havia acontecido com seu melhor amigo, pois todos estavam agindo de um jeito muito estranho e não queriam lhe dizer a verdade.

Após ficar no hospital por dias, ela conhece uma garotinho apelidado de A.J. que lhe mostra uma nova versão do Minecraft, porém esta versão é em RV  (Realidade Virtual). Todos os pacientes que ficavam no hospital por um certo tempo recebiam um par de óculos de RV para que pudessem jogar para passar o tempo, porém Bianca ainda não havia recebido os seus, pois os médicos acreditavam que ela ainda não estava bem o suficiente para entrar no mundo de Realidade Virtual. Por isso, A.J. decide emprestar seus óculos para a sua nova amiga que logo começa a jogar no servidor do hospital. Bianca fica impressionada com a nova versão do jogo, ela leva um tempo para se acostumar com a nova jogabilidade, mas logo vai se acostumando. Tudo ocorria bem, até que ela percebe que aquele jogo possui muitas regras e comandos que ela não conhecia na versão original, mesmo sendo uma jogadora de longa data. A.J. explica que ele havia feito diversas modificações para facilitar e melhorar o jogo, pois os óculos são conectados ao cérebro do jogador, por isso todas as emoções e sentimentos interferem diretamente no mundo de Minecraft, podendo causar diversos estragos tanto no jogo, quanto no cérebro do jogador.


Houve uma longa pausa na qual eu não conseguia ouvir nem sentir nada. Tudo à minha volta girava em uma negritude só e, então, tudo ficou branco. Era como ter sido enviada para o esquecimento.

Após jogar a nova versão por um tempo, Bianca encontra um aldeão que é muito parecido com o avatar de Lonnie. Ela acreditava que o seu amigo estava no hospital e havia conseguido entrar no jogo, porém o seu personagem estava com sérios problemas na aparência e estava com dificuldade para se comunicar, pelo menos, é o que ela achava no começo. Isso entre muitas outras coisas vão deixando o jogo estranho e perigoso, principalmente quando ela percebe que muitos personagens do jogo se parecem com pessoas da vida real que ela conhecia. Bianca acaba conhecendo outros dois pacientes do hospital chamados Esme e Anton, eles também estavam jogando no mesmo servidor que ela, mas ao tentarem sair do jogo, eles percebem que as modificações não estavam funcionando como deveriam, logo eles acreditam que seja culpa das emoções de Bianca que estavam interferindo no jogo, por isso eles embarcam em uma jornada de chegar até a "Dimensão do Fim" para matar o Dragão e tentarem sair do jogo, para que pudessem consertar o avatar de Lonnie e descobrir o que realmente havia acontecido com ele na vida real.

Ao decorrer da história, nós percebemos que Bianca estava com medo de voltar ao mundo real, pois ela sabia que seriam feitas diversas perguntas para descobrirem a verdadeira causa do acidente, e ela temia que eles acabassem descobrindo o real motivo. Ela se sentia culpada pelo o que aconteceu, por isso não estava se sentindo pronta para lidar com toda a situação, mas ela percebe que o jogo acaba se tornando a sua válvula de escape do mundo real, pois seria um lugar em que ela não precisaria responder perguntas ou lidar com o peso da culpa. Mas não se engane quanto ao tom do livro, pois apesar de fazer essas reflexões profundas, a trama é completamente focada em aventura e ação, por isso eles enfrentam muitos desafios e criaturas do mundo de Minecraft praticamente o tempo todo.

O livro é narrado em primeira pessoa e acompanhamos os pensamentos de Bianca. Eu confesso que demorei um pouco para me apegar a ela, pois eu não concordava com muitas das suas ações desde o início do livro, por isso diversas vezes eu pensava: "Não faça isso", "Você devia ter contado a verdade" e isso infelizmente acabou fazendo com que ela se tornasse uma personagem chata e extremamente difícil de lidar, mas ao decorrer da história, algumas de suas atitudes se tornam "justificáveis", e com o tempo vamos percebendo que também não é nada fácil lidar com Esme e Anton, que também tiveram uma vida difícil, pois também são jovens que passaram boa parte de suas vidas em um hospital.


Não havia nada que eu pudesse fazer ou dizer no jogo nem na vida real que poderia compensar toda a dor que eu causei. Havia muito sofrimento, como um tsunami que iria me afogar onde eu estava. Engoli a tristeza e passei a mão carinhosamente no rosto do Aldeão que se parecia com meu melhor amigo. Fechei os olhos vazios do personagem.

Ao decorrer do livro, a autora Tracey Baptiste tenta passar uma mensagem sobre como lidar com a perda, isso acaba ficando um pouco implícito, pois ela passa a mensagem através de um tom leve para não atrapalhar o estilo de ação e aventura do livro. Eu gostei bastante das cenas de luta, pois eu fiquei imaginando como seriam as batalhas do mundo de Minecraft em Realidade Virtual (eu sei que já existe uma versão desse jogo em RV). Um ponto negativo que eu encontrei no livro, foi que, apesar da proposta de aventura da história, acontecem diversas brigas entre os personagens principais, isso vai ficando um pouco chato e cansativo com o tempo, pois sempre há uma discussão sobre uns motivos bem bobinhos na minha opinião. Portanto, eu gostei de "Minecraft: O Acidente", é um bom livro de aventura e ação com uma história interessante e um tom leve, mas com momentos tensos e reflexivos. 


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