[Resenha] - O Livro do Juízo Final - Connie Willis

Título original: Doomsday Book
Editora : Suma de Letras
Gênero : Literatura Inglesa / Ficção científica
Lançamento : 2017
Número de Páginas : 576
ISBN : 97885565110389



foto site oficial Suma de Letras
Ficção científica com viagem no tempo são elementos convidativos que me fazem comprar um livro. Gosto do tema e ele me atrai facilmente. O livro do juízo final tem estas características. Por isso me interessei de início. Sem buscar conhecer muito a história, mas vendo algumas opiniões positivas, eu comprei e li. E comprovei que nem sempre estes elementos são certeiros para uma obra, assim como receber os maios prêmios literários não definem a qualidade de uma obra.

Em O livro do juízo final, Connie Williams nos leva a 2054, onde a sociedade já convive com avanços tecnológicos, como a viagem no tempo. Em Oxford, na Inglaterra, uma universidade costuma levar seus pesquisadores a diversos lugares no passado a fim de realizar estudos mais precisos sobre a história. Um destes casos é com Kivrin, uma aluna que decide viajar para a Idade Média, um período considerado perigoso para esta atividade. Tudo, aparentemente, ocorre bem no salto dela para o passado. Mas uma misteriosa doença acomete o técnico responsável por operar o sistema e isso pode acabar impedindo a volta da estudante para o presente.


“Ela está a setecentos anos de casa, pensou Dunworth, num século que desdenhava das mulheres a ponto de nem anotar seus nomes quando morriam.”

É com esta premissa que O livro do juízo final é apresentado e nos dá uma sensação de saborosa aventura entre o presente e o passado. Mas na prática, não é isso que acontece. É possível dizer que o livro é dividido em duas partes. A primeira, bastante chata, lenta, onde praticamente nada acontece, e a segunda, na reta final, onde a aventura se desenrola e aí sim consegue animar o leitor.

foto de divulgação das redes sociais da Suma de Letras
Eu confesso que esperava algo um pouco diferente para o livro. Esperava ver a protagonista vivendo ao longo de vários anos no passado, fazendo descobertas e tentando buscar uma forma de voltar ao presente. Mas isso não ocorre. Ela fica reclusa, por um certo motivo que faz sentido, a um vilarejo. Enquanto que no presente vemos a equipe responsável pelo salto envolta na doença do técnico, tentando entender o que aconteceu com ele e buscando uma solução para puxar Kivrin de volta – se é possível.

O livro é narrado em dois momentos com capítulos que intercalam o presente e o passado, onde está a protagonista. A parte que se passa no presente é, sem dúvida, a melhor. Mais movimentada e com mais dinâmica, é onde ocorre a ação que dá o tom à aventura prometida na sinopse. Os capítulos que narram a Idade Média são aparentemente bons no início, mas se tornam chatos e monótonos a medida que não há acontecimentos e tudo parece girar em círculos.

No entanto, vários problemas teriam sido rapidamente resolvidos se não fosse aquela velha conhecida conveniência de roteiro. É que, para citar um exemplo, toda vez que um personagem precisava contar ou revelar algo, acontecia alguma situação que o impedia, como a chegada de alguém ou um desmaio. Isso impedia a história de desenvolver. E o tanto que a autora enrolou em situações como essas ou em descrições de fatos desnecessários fez com que o livro tivesse quase 600 páginas. Mas seria muito possível ter uma história mais pontual com menos de 400 páginas.

Soma-se a isso o fato de ter vários personagens desnecessários na trama, que não tiveram tanta utilidade a não ser serem chatos ou incomodar quando não deveriam. Tanto no presente quanto no passado isso aconteceu. Apesar de ter um ritmo bom de leitura, a história não evoluiu dentro do que poderia. Prometeu mais do que entregou, mesmo assim ainda trouxe um final que entusiasmou. Mas ainda não decidi se vou continuar a ler esta trilogia. Só o tempo dirá.

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