[Resenha] - Uma Mulher no Escuro - Raphael Montes

Editora : Companhia das Letras
Gênero : Literatura Nacional / Suspense / Trilher
Lançamento : 2019
Número de Páginas : 256
ISBN : 9788535931761


foto site oficial Companhia das Letras
O livro Uma Mulher no Escuro, do carioca Raphael Montes, nos traz um thriller psicológico permeado de perigo, suspense e emoção. Contando a história da sobrevivente de uma grande chacina, acompanhamos toda a sua trajetória desde o fatídico dia até os tempos atuais, com todas as consequências que isso acarretou para a sua vida. O terror que até então Victoria julgava estar enterrado no passado, ressurge com força total, ceifando sua paz, sua sanidade e colocando novamente sua vida em perigo. Raphael Montes consegue prender a atenção do leitor mais uma vez, em uma trama repleta de camadas, facetas e tenebrosas reviravoltas, esbanjando todo o talento que o consagrou como um dos maiores autores do gênero no Brasil.

Victoria Bravo tinha apenas quatro anos de idade quando um homem invadiu sua casa e matou toda a sua família, pichando o rosto de cada um deles de preto após o assassinato. Na mesma noite, o delinquente de dezessete anos, Santiago, se entregou para a polícia e confessou o crime, sem nunca explicar porque poupou a caçula da família ou o que o fez cometer o crime.

Duas décadas depois, Vic mora sozinha e trabalha como garçonete para se sustentar. Por causa do trauma, ela se tornou uma jovem solitária e tímida, vítima de pesadelos frequentes e com muita dificuldade para se relacionar amorosa e afetivamente com alguém. Seu passatempo é observar a vida alheia pelas janelas do apartamento onde mora na Lapa (RJ), na companhia de seu único amigo, Arroz, um jovem nerd e desmantelado que ela conheceu pela internet. Ela também se consulta três vezes por semana com Max, seu psiquiatra, que a incentiva a cada vez mais se abrir, contornar o passado e buscar sua felicidade novamente. E é justamente por conta dos conselhos dele que Vic se deixa cativar por Georges, um escritor que passa as tardes no café em que ela trabalha. Com seu jeito carismático e tímido, Georges acaba por penetrar a armadura de Vic, lhe revelando novas perspectivas sobre o amor.

"O passado era uma ferida profunda, mas cicatrizada, cuja casca ela havia aprendido a não cutucar."

foto divulgação cedida pela Companhia das Letras
Victoria é uma personagem profunda, forte e bem misteriosa. É visível o quanto o passado deixou marcas indeléveis em sua alma, especialmente a dificuldade para se relacionar e alguns hábitos infantis que ela insiste em manter. Acima de tudo, ela é uma sobrevivente e alguém que mesmo mergulhada na dor e na tragédia, ainda tenta se estabelecer em um mundo frio e escuro. Sua força e determinação são essenciais nesta jornada obscura, ao mesmo tempo em que ela é ameaçada vorazmente pelo assassino, que deixa claro que pretende terminar o que começou há duas décadas atrás. Uma das cenas mais tenebrosas do livro é quando ela encontra seu ursinho de pelúcia, Abu, todo pichado de preto - sinal este que revela ser mais do que uma ameaça velada.

"VAMOS BRINCAR?"


Chega um ponto na trama em que todos passam a ser suspeitos, inclusive o amigo, o psiquiatra e até mesmo o possível namorado de Vic, o que nos traz uma espiral bem intrigante para o enredo. Não vou dar maiores detalhes sobre estes personagens, mas o fato é que o assassino estava muito bem camuflado e foi inserido na história de forma precisa e coesa. Acompanhar o diário do criminoso desde a sua juventude, se mostrou não só uma viagem para a década de 90 - com todo o pop da época e as peripécias da juventude masculina -, como também algo indigesto e que já dava fortes evidências de psicopatia, dentre outros desvios de conduta.

Em síntese, Uma Mulher no Escuro é um suspense brilhante, que te faz quebrar a cabeça durante a leitura e tentar digerir os fatos que lhe são apresentados - por mais intragáveis que eles sejam. Raphael Montes nos apresentou uma protagonista forte, profunda, feminina e incrivelmente original, lutando contra seus próprios fantasmas e usando de seus parcos recursos para deter um assassino sádico e impiedoso. A capa nos traz a imagem do Abu - ursinho de pelúcia da Vic -, banhado por escuridão em meio a um fundo roxo e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo

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