[Resenha] - Na estrada Jellicoe - Melinda Marchetta



ISBN-13: 9788555340017

ISBN-10: 8555340012
Ano: 16 / Páginas: 296
Idioma: português 
Editora: Seguinte

Perto de uma pequena cidade no interior da Austrália existe a Estrada Jellicoe, um pequeno lugar onde acontece um guerra territorial entre os alunos da escola local, os adolescentes da cidade e os Cadetes que acampam no lugar uma vez por ano. Na liderança dos estudantes está Taylor, uma menina de 17 anos que foi abandonada pela mãe na estrada e desde então tenta não pensar muito no seu passado.
Quando Taylor é escolhida para liderar a escola durante as guerras, ela se vê numa situação vulnerável. Ela precisa defender os terrenos na escola ao mesmo tempo que negocia com os outros grupos por melhores condições para os alunos. 
Em meio a toda essa movimentação aos arredores da Estrada Jellicoe, Hannah, que é a única pessoa que ela confia desaparece misteriosamente, deixando Taylor pra trás. 
"Meu pai demorou cento e trinta e dois minutos para morrer. Eu contei. Foi na estrada Jellicoe..." - pág 7
Como se ela já não tivesse problemas suficientes, Taylor encontra na casa de Hannah um manuscrito contando a história de 5 adolescentes que viveram na estrada há 18 anos, e por mais estranho que pareça, ela começa a perceber que a própria história pode estar completamente ligada à vida desses cinco jovens.
Em meio a essa história de descoberta também temos um romance fofo, o líder dos cadetes, Jonnah, e Taylor se apaixonam a maneira deles, e nos fazem suspirar em algumas páginas. Lógico que namorar seu arqui-inimigo talvez não seja uma boa ideia. Mais um pouco de história pelo livro que começamos a desvendar. 

Em paralelo a história de Taylor, conhecemos Narnie, Tate, Fitz, Webb e Jude, os adolescentes que viveram lá tantos anos antes, aprendemos a gostar deles e criamos expectativas para descobrir o que aconteceu com eles depois de tanto tempo e porque Taylor foi encontrar esse manuscrito e que ligação ele tem com a história da nossa protagonista. 

No início, o livro foca bastante na disputa territorial e isso foi um pouco chato, não pela guerra, mas porque era óbvio através da narrativa que se tratava de algo infantil e sem propósito. Não parecia uma guerra de verdade, e sim um monte de adolescentes que não tinham o que fazer. Com o passar do livro e quando passamos a entender da onde surgiu essa guerra e como que cada parte enxerga isso, passamos a perceber melhor a narrativa da autora e entender que o livro é bem mais que isso. Nesse momento, o foco passa a ser Taylor e o grupo de adolescentes do manuscrito e começamos a questionar o que essas duas gerações que nem se conheceram podem ter em comum.

A narrativa é simples, com vocabulário fácil, conseguimos ficar horas lendo sem nos cansar e a cada página o livro vai ficando mais emocionante e os mistérios vão nos pegando e nos forçando a continuar a leitura. Achei importante não ficar tudo para as últimas páginas, podemos acompanhar Taylor na descoberta do seu passado e na relação que isso possa ter com os adolescentes. 
"Conto pra ela a história do menino na bicicleta roubada que salvou a vida daquelas crianças na estrada Jellicoe e virou nosso herói." - pág 194
Melinda criou um história muito diferente do que lemos por aí, por mais que o formato de adolescentes lutando por algo esteja um pouco saturado na nossa literatura, conseguimos passar por cima disso muito fácil e encarar a trama com maturidade. O problema da história talvez seja que a autora colocou muitos elementos e não conseguiu encerrar todos eles. Há muitos personagens que aparecem do nada e não voltam mais, há teorias que os personagens desenvolvem que não fazem nenhum sentido e confunde o leitor. Me pareceu que ela não se preocupou em explicar algumas partes para quem está lendo, deixou que nós ficássemos que cabeça da Taylor e entendesse da forma como ela entendeu.
Acredito também que o começo da história seja um tanto confusa, a gente demora até engatar e começar a entender de fato o que está acontecendo. Por isso talvez eu possa ter deixado algumas informações importantes passarem batido, talvez seja o caso de reler, agora que já sei o fim da historia, e prestar atenção em determinados diálogos. 
Por mais que as vezes eu sentisse raiva do jeito da Taylor, consegui entender os motivos que a fizeram se fechar, e porque ela é desse jeito. O mais incrível da personalidade dela é que por mais que ela se pareça dura e desprovida de sentimentos por outras pessoas, nós conseguimos ver através dessa máscara que ela criou e em diversos momentos os outros personagens também conseguem, dá a impressão de ser gente de verdade.

O que mais cativa a gente nessa história é a busca de Taylor pela sua origem, por mais que ela se faça de durona e em diversos momentos dê a entender que não quer saber do passado, podemos perceber que isso não é verdade! Taylor é um personagem muito verdadeiro, daqueles que a gente consegue até comparar com alguém que a gente conhece, por isso deixa o livro tão real, mesmo com uma história tão diferente da nossa realidade. 



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