[Resenha] - Jogador Nº 1 - Ernest Cline

ISBN: 978-85-441-0316-6 (edição comum) / 978-85-441-0697-6 (edição filme)
Formato: 16 x 23 cm
Número de páginas: 464
Ano de lançamento: 2015 (edição comum) / 2018 (edição filme)
Tradução: Carolina Caires Coelho
Gênero: ficção / fantasia / ficção científica
Palavras-chave: anos 1980; games; fantasia; Eeaster Egg; futuro; realidade virtual

Tudo começa em 2044. O planeta Terra não é mais o mesmo, pois houve uma grande crise econômica onde poucos conseguiram manter seu bom estilo de vida, mas a grande maioria das pessoas teve que sobreviver com o pouco que lhes restou, vivendo em pilhas de trailers e aprendendo a lidar com a fome, o desemprego e as guerras que aconteciam uma hora ou outra. A vida real se tornou completamente monótona sem nenhum tipo de entretenimento viável para a maior parte da população, mas havia uma maneira de escapar desse imenso tédio e essa maneira consistia num mundo em realidade virtual chamado Oasis criado pelo gênio e biolionário James Halliday. O Oasis é uma espécie de MMO (Massive Multiplayer Online) onde as pessoas passam a maior parte do tempo por diversão e muitos ainda conseguem se manter financeiramente dentro do jogo de diversas maneiras. Oasis possui uma infinidade de mundos relacionados à Cultura Pop em que seus jogadores podem explorar, lutar contra monstros e colecionar os mais variados itens disponíveis para seus avatares personalizados. 

Jogador Nº 1 se destaca e é melhor estreia de Spielberg desde 2008 ...

Tudo mudou quando o bilionário Halliday acabou falecendo, pois ele deixou um vídeo como testamento que revelava que ele escondeu uma série de enigmas complexos relacionados à Cultura Pop dos anos 1980 e aquele que desvendar todos esses enigmas e encontrar o grande Easter-Egg receberá toda a fortuna de Halliday e se tornará o novo dono do Oasis, podendo usá-lo como quiser. Todos os jogadores foram a loucura após assistirem a esse testamento, mas alguns ficaram ainda mais animados com a possibilidade e decidiram se tornar os Caça-Ovos, fazendo de tudo para desvendarem os enigmas. Um ano se passou e ninguém havia descoberto nada sobre o Easter-Egg, até que um jovem chamado Wade Watts cujo apelido dentro do Oasis era Parzival, conseguiu desvendar o primeiro enigma e assim o concurso voltou a tona novamente, porém Wade descobre que há pessoas que estão dispostas a matá-lo para conseguirem as pistas para o Easter-Egg, fazendo com que o jogo se torne uma questão de vida ou morte.

Quando me sentia deprimido e frustrado com a vida, só precisava apertar o botão do Jogador 1 e meus problemas sumiam de minha mente instantaneamente.

O Jogador Nº1 ganhou uma adaptação para os cinemas em 2018 dirigido por ninguém menos que Steven Spielberg (eu até considero um bom filme). Se você já assistiu ao longa, peço que esqueça completamente o que viu, pois você será surpreendido ao ler a versão original. Eu já vou te adiantar que eu adorei completamente este livro e nunca pensei que alguém conseguiria criar uma história com tantos elementos diferentes da Cultura Pop, pois é "fanservice" que não acaba mais com infinitas referências e muitas delas são explicadas pelo autor para que ninguém se sinta perdido ao ler este livro, pois de fato, são muitas curiosidades de diversos tipos de mídia. Obviamente a maior parte desse fanservice é dedicado aos anos 1980 porque era a grande paixão de James Halliday, pois foi a época em que ele vivenciou toda a sua adolescência. 

A história já começa sem rodeios explicando como o Oasis funciona e ao decorrer do tempo, você vai descobrindo e entendendo melhor que existem várias mecânicas e regras para que os jogadores não trapaceiam no jogo e no concurso (isso é um ponto que o filme deixa um pouco de lado). Os personagens principais recebem uma atenção muito maior com histórias mais profundas principalmente quando se trata do protagonista Parzival e você irá notar que a aparência desses personagens é completamente diferente da que foi mostrada no filme, mas isso aconteceu por problemas de direitos autorais ao desenvolver a adaptação, pois o visual, os itens utilizados pelos avatares e até mesmo o nome dos personagens possuem diversas referências da Cultura Pop fazendo com que o autor Ernest Cline tivesse uma liberdade imensamente maior ao escrever este livro.

O ser humano é uma porcaria na maior parte do tempo. Os videogames são a única coisa que tornam a vida suportável.


Resultado de imagem para ready player one book charactersCenas épicas não faltam neste livro, pois quando você acha que o autor já usou todos os elementos possíveis ele te surpreende em partes incríveis que me fizeram pirar em vários momentos da leitura. O livro possui uma linguagem muito tranquila de ser lida e a leitura não fica monótona em momento algum. Há um ótimo equilíbrio entre os tons da história, pois há uma mescla de humor e ação, mas quando necessário, o livro se torna dramático e até mesmo  sombrio em certas ocasiões. Além das menções de filmes, desenhos, jogos e quadrinhos, o livro também fala de grandes entusiastas que fizeram a diferença no mundo do entretenimento e da tecnologia como George Lucas, Steve Wosniak, Douglas Adams, J. R. R. Tolkien, Isaac Asimov, Bill Gates e muitos outros. Caso você queira se aprofundar mais nesse universo apresentado, há um outro livro chamado Almanaque do Jogador Nº1 que explica boa parte das referências que foram mencionadas tanto no livro quanto no filme.


Portanto, eu recomendo muito este livro independente do seu gosto de leitura, pois ele mescla vários gêneros diferentes e aposto que você irá gostar de pelo menos algum elemento apresentado nessa história. O livro deixa uma mensagem muito bonita no fim que pode acabar fazendo a diferença para algumas pessoas, assim como fez para mim. O que você está esperando? Pegue uma toalha e embarque nesse incrível multiverso. Não se preocupe com o tempo, pois qualquer coisa é só você pegar uma Tardis ou então dar um volta no seu DeLorean, pois para onde você irá, não vai precisar de estrada.
  
Por mais assustadora e dolorosa que a realidade possa ser, é também o único lugar onde se pode encontrar felicidade de verdade. Porque a realidade é real.

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