[Resenha] - O sétimo dia - Kerry Drewery


Editora: Astral Cultural
Lançamento: 2017
Original: Day 7
Literatura Inglesa
Páginas: 333
ISBN: 978-85-8246-568-4


Esta resenha contém inevitáveis spoilers do primeiro livro da trilogia. Para ler a resenha de "A Sétima Cela", clique AQUI.

Após a enorme confusão em seus últimos momentos no corredor da morte, Martha Honeydew agora está livre, inocentada por causa de uma série de provas que Isaac apresentou ao público minutos antes dela ser executada, revelando que ele era o verdadeiro culpado pela morte de Jackson Paige. Cercada agora por inúmeras pessoas da imprensa, Martha só consegue pensar que, apesar de não ter sido morta, agora é Isaac quem está no corredor da morte. E tem apenas uma semana de vida.
Agora que a posição social de Isaac não o ajudou na hora de se ver impune em relação ao crime que cometeu, Martha não sabe o que fazer para tira-lo do corredor da morte. As provas estavam ali e o mundo inteiro viu Isaac atirando no próprio pai. E os telespectadores continuam pedindo que alguém seja condenado pelo acontecido. 

Tudo isso é ridículo. Pensar que alguém esfaquearia uma pessoa somente por causa do que ela disse. Ou pelo que pensa que ela disse. E eu fico me perguntando... [...] Isso é muito conveniente, não é? [...] Que alguém que era contra a pena de morte foi assassinada, alguém que não tinha medo de expressar suas opiniões. E que, além disso, era amiga e apoiadora de Martha.

Porém, Martha não está totalmente impune. Ainda que livre, o fato de ela ter sido presa e condenada mesmo sendo completamente inocente fez muitas pessoas começarem a questionar se o sistema atual de justiça é realmente válido e honesto. E por causa disso, Martha agora vira uma foragida. O governo a considera uma ameaça e não está medindo esforços para encontra-la. Com um prazo de sete dias para encontrar um meio de salvar Isaac, Martha precisa de um plano o mais rápido possível. Mas a questão maior é: em quem ela pode realmente confiar?




"O sétimo dia" continua seguindo o mesmo padrão do livro anterior, em um período de tempo de uma semana, mas como nossa protagonista agora está "livre", nosso cenário se concentra mais do lado de fora do corredor da morte. E essa inversão de papéis entre os personagens acabou deixando o desenvolvimento da história mais tenso do que o primeiro livro. O plano de Martha e Isaac acabou terminando da pior forma possível, com Isaac no corredor da morte, Martha foragida e o governo continuando a manipular toda a população de forma ainda pior e mais severa. Para encobrir a corrupção e falta de honestidade, Martha foi ditada como "altamente perigosa" pela ameaça que passou a representar ao governo. 

O livro é igualmente em terceira pessoa, com apenas alguns pedaços específicos em primeira, com novos personagens apresentados, agora que os acontecimentos caóticos acabam exigindo uma intervenção dos governantes. Nessa hora é que se começa a perder a confiança em todos. Em um mundo em que todos agem de acordo com os próprios interesses, Martha sofre muito. Os que a apoiam estão sendo presos ou silenciados das piores formas e ela precisa arranjar um meio de sobreviver enquanto tenta salvar o amor da sua vida de morrer por ter salvo a vida dela. 

Eu peço a vocês que saiam e comecem a questionar tudo, procurem saber a verdade sobre o seu país e seus líderes. Comecem a fazer isso procurando pelas poucas cópias que ainda restam das gravações daqueles dias, que foram vistas pelas última vez em websites preparados para mostrar a verdade a vocês, mas que o governo derrubou. Vocês acham que têm liberdade de expressão? Questionem isso.

Apesar de o foco da trilogia não ser o romance entre os dois personagens, a forma como a autora narrou o amor entre eles foi apaixonante. Ainda que estejam incapacitados de se comunicarem, a forma como eles estão sempre pensando um no outro, se preocupando um com o outro e "conversando" mentalmente entre si representa o meio que eles encontraram de não esquecer de demonstrar esse sentimento tão forte. Uma narrativa extremamente romântica e poética que conquista facilmente os leitores que são ávidos por aqueles amores proibidos, onde os protagonistas lutam contra o mundo por causa dessa paixão. 

Este segundo exemplar continua perfeitamente bem construído e bem desenvolvido, prendendo o leitor em meio as intrigas criadas pelo governo para continuar mantendo a alienação do povo em prol do próprio poder. Talvez por já ter o segundo em mãos ao acabar o primeiro, não fiquei tão agoniada com o modo como terminou, mas agora, na espera pelo terceiro e último volume, que ainda não tem data de lançamento, posso dizer que estou bem aflita - ate porque comparando os dois finais, o de " O sétimo dia" nos faz querer desesperadamente saber o rumo das coisas após o ápice que foram os capítulos finais. A trilogia da Cela está se tornando uma série literária prestes a ganhar meu respeito por ser tão real, próxima da realidade em que a gente vive, e talvez a melhor das distopias que eu já conheci até hoje.  



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